Espanha Verde

Entre o Atlântico e as montanhas, um roteiro de leste a oeste transforma o ato de dirigir numa
experiência que conecta território, gastronomia e cultura pelas regiões mais verdes da Espanha
Viajar pela Espanha Verde é uma experiência que acontece em movimento. Não é um destino que se
resolve em um único ponto, nem em uma cidade específica. Ele se constrói ao longo da estrada, nas
paradas inesperadas, nos mercados visitados sem planejamento e nas refeições que surgem como
consequência do caminho.

No norte da Espanha, a paisagem, a comida e a forma de viver estão
profundamente conectadas, e dirigir é a melhor maneira de perceber essas relações.
O roteiro atravessa quatro regiões com identidades muito próprias: País Basco, Cantábria, Astúrias e
Galiza. De Bilbau a Santiago de Compostela, o trajeto conecta dois aeroportos internacionais e permite
desenhar uma viagem contínua, sem longos deslocamentos, mas com mudanças claras de paisagem,
sotaque e sabores. Ao longo do percurso, o verde é constante, moldado pelo clima atlântico, pelas
montanhas próximas da costa e por uma ocupação do território que respeita o ritmo da natureza.


Essa é uma viagem pensada para quem gosta de observar, parar, dirigir sem pressa e entender o lugar a partir do que ele produz. O vinho nasce do relevo, a comida reflete o clima e a mesa funciona como ponto de encontro entre tradição e vida contemporânea.


País Basco: estrada, mar e uma cozinha que faz parte do cotidiano
Bilbau é um ponto de partida natural. A cidade mostra como o País Basco conseguiu equilibrar
transformação urbana e identidade cultural. Nela, a arquitetura e a gastronomia surpreendem os turistas
mais exigentes. A antiga zona industrial, hoje, abriga o Museu Guggenheim, de Frank Gehry, principal
símbolo da cidade, além de museus e áreas revitalizadas. Comer bem faz parte do dia a dia.
Ao caminhar pelo centro histórico o visitante se depara com inúmeros bares com seus balcões cheios de
pintxos, pequenas porções que variam do mais simples ao mais elaborado, sempre com atenção ao
produto. Aqui, a gastronomia não é distante nem cerimonial: ela acontece nos bares, nos mercados e nas conversas ao redor da mesa. Em Bilbao, txikitear (beber um vinho) é uma experiência obrigatória. Plaza Nueva, Somera, Santa María e Calle del Perro, no centro histórico, são opções para experimentar os pintxos.


Ao pegar a estrada em direção à costa, o percurso se torna ainda mais interessante. Vilas como Mundaka, paraíso dos surfistas, e Bermeo, com seu tradicional porto pesqueiro surgem entre o mar e as colinas, com restaurantes especializados em peixe grelhado, preparados na brasa. O txakoli, vinho branco típico da região, acompanha essas refeições de forma natural, com frescor e acidez que combinam com o clima atlântico.


San Sebastián pede mais tempo. A cidade, antigo balneário da Belle Epoque, reúne praia, vida urbana e
uma concentração impressionante de bons restaurantes. O interessante de estar de carro é poder escolher como viver esse lugar: tanto reservar uma experiência gastronômica mais elaborada quanto simplesmente circular entre bares, provando pintxos e observando a dinâmica local. Vale pegar o carro e dirigir poucos quilômetros para ir conhecer as cidades de Fuenterrabia, com seu pitoresco centro histórico, e Getaria, pequena vila de pescadores, cidade natal de Cristobal Balenciaga, um dos estilistas mais influentes da alta costura. O Museu Balenciaga apresenta, em todo o seu esplendor, as coleções emblemáticas que consolidaram a genialidade e o legado do estilista.


Cantábria: paisagem aberta e uma cozinha ligada à tradição
A transição para a Cantábria acontece de forma gradual. As estradas atravessam áreas mais abertas, com campos verdes, falésias e pequenas cidades. Santander, a capital, combina atrativos culturais e históricos com uma localização privilegiada: é a porta de entrada para El Sardinero, um elegante balneário à beira- mar. Para os amantes da boa mesa Santander reúne o melhor do mar e da montanha, a cidade leva o título de Extraordinary Dinning City. Sua excelente oferta gastronômica pode ser experimentada tanto nas tradicionais tabernas marinheiras e nos também tradicionais botecos a preços mais populares quanto em restaurantes estrelados.


Mas a Cantábria se revela de maneira mais clara quando se sai das vias principais. Vilas menores
preservam um modo de vida em que a comida continua sendo parte da rotina familiar. Pratos como o
cocido montañés refletem uma cozinha pensada para o clima e para o trabalho no campo, com
ingredientes locais e preparações que atravessam gerações.
Mercados regionais ajudam a entender esse território. Queijos, embutidos, doces e produtos artesanais
mostram como a gastronomia aqui está diretamente ligada à produção local, sem excessos ou tendências passageiras.


Astúrias: montanhas próximas, sidra e comida sem concessões
Ao entrar nas Astúrias, o cenário muda novamente. As montanhas se aproximam da estrada, o verde se
intensifica e a presença rural se torna mais evidente. Essa é uma região onde a gastronomia permanece
fortemente ligada às tradições e ao cotidiano.
A sidra asturiana é um elemento central da vida social. Servida em casas especializadas, ela acompanha pratos que representam bem a identidade local, como a fabada asturiana. A cozinha é direta, sem concessões, baseada em ingredientes regionais e em receitas que continuam sendo preparadas da mesma forma há décadas.
Oviedo e Gijón funcionam bem como base para explorar a região. Ambas oferecem mercados
interessantes, restaurantes contemporâneos e tavernas tradicionais. Para quem está de carro, os desvios fazem toda a diferença: estradas secundárias levam a vilas pequenas, produtores artesanais, queijarias e paisagens montanhosas que justificam cada parada.


Galiza: o Atlântico, os vinhos e o fim do caminho
A Galiza marca o último trecho da viagem e retoma a força do Atlântico. Nas Rías Baixas, os vinhedos de albariño crescem sob influência direta do mar, resultando em vinhos frescos, aromáticos e muito presentes na mesa local. Degustar esses vinhos próximos aos vinhedos ajuda a entender a relação entre clima, solo e identidade.


No interior, a Ribeira Sacra impressiona pela forma como a viticultura se adapta ao relevo. Vinhedos
ocupam encostas íngremes ao longo dos rios Sil e Miño, produzindo vinhos que carregam o esforço
humano e a história do lugar. A visita às vinícolas revela um lado menos conhecido da Espanha, onde
tradição e paisagem caminham juntas.
O roteiro se encerra em Santiago de Compostela. A cidade combina história, espiritualidade e uma cena
gastronômica viva, que valoriza o produto acima de tudo. Mariscos frescos, empanadas, polvo preparado com precisão e sobremesas tradicionais como a tarta de Santiago aparecem em restaurantes que respeitam a simplicidade e a qualidade dos ingredientes.


Sabores da estrada: o que provar em cada região da Espanha Verde
Cada região da Espanha Verde cozinha aquilo que a paisagem oferece, e isso torna a experiência ainda
mais coerente.
País Basco: pintxos, peixes do Cantábrico, bacalhau em diferentes preparações e o txakoli
Cantábria: cocido montañés, queijos artesanais, anchovas de Santoña e os tradicionais sobaos pasiegos
Astúrias: sidra natural, fabada asturiana, embutidos e queijos intensos como o de Cabrales
Galiza: mariscos, polvo à feira, empanadas e vinhos como albariño e os tintos da Ribeira Sacra

 

Por que a Espanha Verde funciona tão bem para uma road trip
A Espanha Verde reúne características que tornam a viagem de carro especialmente fluida:
- Distâncias equilibradas entre regiões
- Estradas bem estruturadas e paisagens em constante transformação
- Facilidade para acessar mercados, vinícolas, vilas e restaurantes fora do circuito tradicional
- Boa infraestrutura turística, com hotéis e restaurantes de diferentes estilos
- Aqui, dirigir faz parte da experiência, não apenas do deslocamento


Percorrer a Espanha Verde de carro é uma forma de viajar que privilegia o tempo e o contato direto com o território. Paisagem, gastronomia, vinho e cultura se conectam de maneira natural, sem pressa. Do
primeiro pintxo no País Basco ao último prato em Santiago de Compostela, é uma viagem construída aos poucos e que continua presente muito depois do fim da estrada.

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